domingo, 20 de abril de 2014
Os meninos não demoraram muito para voltar ao carro, mas em contra partida trouxeram o David junto, xinguei-os, xinguei-os do fundo do meu coração, mas preferi ignorar o fato de agora o David estar sentado do meu lado se esfregando em mim. Fui da porta do meu prédio até o local onde iriamos tentando puxar assunto com o Juan, que eu acho ficou meio sem graça com a presença do David ali olhando pra nós como se fosse nos matar com um tiro na cabeça. Quando saímos eu puxei o Samuel no canto para que ele me fizesse um grande favor.
-Por favor, não deixe que o David chegue perto de mim, desvia atenção dele, eu preciso dele longe.
-Não vou nem questionar, Emi. Mas vou te ajudar sim.
Eu apenas sorri para ele e fui andando para cumprimentar a Jessica, a Alicia, a Laura, a Victoria, o Max e o Daniel. As meninas estavam com a cara de espanto maior que eu já vi na vida, algumas delas até abriam e fechavam a boca como bonecos, eu não ficaria ali para ver a ceninha do David, não hoje. Eu chamei o Juan para ir pegar uma bebida comigo, mas antes que eu pudesse dar um passo ouvi a reclamação da Alicia e me virei.
-Nossa, Emile nem apresenta os amiguinhos novos pra gente.
-Ah, desculpa! Meninas, Juan. Juan, essa são Jessicia, Alicia e Laura, a Victoria você já conhece. Os meninos depois eu te apresento, porque eles estão “ocupados”. – fiz aspas com as mãos – Agora vamos. – eu saí o puxando antes que uma delas tivesse a mesma ideia que eu.
Nós pegamos duas bebidas e antes mesmo de eu precisar ter uma ótima ideia para sair dali o Juan a teve.
-Vamos lá em baixo comigo, por favor gatinha.
-Vou ué. – eu disse segurando em sua mão para que no caminho até a pista eu não fosse assediada.   
Nós descemos até a pista conversando e quando chegamos lá ele me fez a pergunta que na minha opinião ele já estava segurando a séculos.
-Han, Emile.
-Oi! – eu disse voltando a olhar para ele.
-Quem é?
-O menino? – ele concordou – Ele é um amigo nosso, nós namorávamos, mas ele sumiu a dez meses atrás sem dizer nada pra gente e agora ele voltou.
-Hmm, você ainda gosta dele né?
-Sim, mas não é como era antes. Vamos falar de outra coisa, podemos?
-Claro que podemos. Falando nisso qual das suas amigas gatas você vai me apresentar?
-Oh, nenhuma delas. Magoou Juan! – eu ri.
-Por que? Tá querendo me dar um beijos? – eu devo ter ficado vermelha, se é que preto fica vermelha.
-Ah, claro. – eu brinquei, mas ele levou a sério e foi logo me puxando.
O beijo dele era bom, um meio termo entre o calmo e o feroz, o hálito dele me lembrava uva verde, talvez fosse pelo chiclete sei lá, a suas mãos andavam por lugares certos e não proibidos do meu corpo, seus braços me colavam tanto ao seus corpo que eu achei que acabaríamos nos fundindo, seu sorriso em meio ao beijo era tão doce que me fez sentir quase culpada, seus cabelos eram macios e com certeza nesse momento estavam totalmente atrapalhado e em meio ao um único lampejo de consciência que eu tive abri os olhos e me deparei com o David andando pela pista, com certeza a nos procurar. Eu, em sinal de proteção, soltei o Juan e parei o beijo dizendo.
-Não quero que entre em briga nenhuma por minha causa. – ele fez sinal de desentendido e eu continuei – Tem gente nos procurando aqui, é melhor subir.
-Ah sim. Vamos, depois a gente termina isso. – ele disse me puxando para as escadas.
O camarote parecia ter lotado ainda mais nos poucos minutos que ficamos lá em baixo, nós rodávamos, rodávamos e não encontrávamos nenhum dos meninos ou as meninas, até que eu avistei a cabeça do Max e me dirigi até ele vendo a cena que pensei que nunca veria. O Max pegando a Victoria, a Alicia aos beijos com o Daniel e a Jessica, a Laura, o Nicholas e Samuel – ainda bem – segurando vela. Eu fiquei olhando-os com cara de espantada, mas logo caí no riso, o que os fez parar o beijo.
-Gente, – eu meio que gritei – eu nunca pensei que veria essa cena. – eles fizeram careta pra mim e eu aproveitei para apresentar o Juan para os meninos – Ei, Max e Dani, esse é o Juan meu novo vizinho e o Juan, Max e Dani meus patos e amigos. – eu ri e recebi um tapa do Dani.
Eles se cumprimentaram e eu fui levei o Juan até um canto onde ficava uns pufs para podermos sentar. Quando me sentei, ele foi logo tratando de terminar o que havíamos começado lá em baixo. Ao parar o beijo, ele foi logo dizendo.
-Acho melhor a gente ficar um pouco com os seus amigos. – eu assenti e nós nos dirigimos aos meninos que agora estavam com David.
Nós entramos no assunto e quando viu uma brecha o David começou.
-Oi, como é seu nome, parceiro? – ele se referiu ao Juan que me olhou antes de responder.
-Juan e o teu?
-David. Você é o novo vizinho da Emi né? – o Juan apenas assentiu – Vamos nos ver bastante então. – ele sorriu e eu dei um risinho sarcástico falando no ouvido do Juan.
-Não cai na dele, ignora.
-Ah, é mesmo? – O David assentiu – Que bom então parceiro, estou todo dia lá na casa dela, fica a vontade pra visitar a gente.
Oi? Eu acho que as pessoas não me escutam, o que deu no Juan? Foi a mesma coisa de eu dizer cai na dele, faz intriguinha, provoca o David. Na mesma hora do David avançou pro nosso lado e eu tive apenas uma reação puxar um Juan dando um passo para trás. O Samuel segurou o David e antes de dizer alguma coisa eu apertei o braço do Juan para que ele entendesse que eu estava furiosa, com ambos.
-David, deixa eu repetir. – eu respirei fundo – Eu e você não temos nada, você não pode ir ao meu apartamento quando quiser, você não é bem vindo.
-Eu e você não temos nada? – eu assenti – Muito menos você e esse merda. A quanto tempo se conhecem? A horas? Nossa que grande coisa.
-O Juan tava brincando. Pensando nisso, mesmo se ele não estivesse, não era da sua conta. Prefiro ele fazendo piadinhas quando ao nosso não existente relacionamento do que a você que brincou e ainda brinca com meus sentimentos. Tem certas coisas que nunca mudam né, David? – ele deu apenas um sorriso cansado tentando se soltar do Samuel e eu continuei- Acho melhor eu ir, já que você sempre estraga qualquer tipo de noite minha.
Eu soltei o braço do Juan e fui andando até a saída. O Juan devia ser louco, só pode, me conhecia devia fazer horas como disse o David e quase se envolveu numa briga boba por minha causa só porque o David meio que o provocou, ele devia mesmo ter sérios problemas. Quando achei um taxi vi que alguém caminhava atrás de mim, o que imediatamente me fez virar a cabeça para espiar quem era, para minha sorte era apenas o Juan que quando viu que eu o olhava, abriu a boca para tentar se explicar ou se desculpar, mas eu fui logo balançando a cabeça pedindo assim para que ele não falasse nada. Ele resolveu dividir um taxi comigo até em casa e quando chegamos ao nosso andar eu abri a porta de antes de entrar ele disse.
-Han, me desculpa Emile. – eu assenti – Acho que você não se lembra mesmo de mim né?
-Han? – eu perguntei não entendendo nada.
-Nós nos conhecemos sim, a muito mais que horas. Nos conhecemos a anos.
-Oi?
-Juan da sexta B.
-O que?

Nem consegui ouvir sua resposta, mil coisas vieram a minha cabeça, o Juan que agora estava na minha frente era o Juan que estudou comigo até o nono ano? O menino em quem eu dei o meu primeiro beijo, como eu não lembrei daquelas feições, daquele rosto fino, olhos claros, lábios cheios, como? Acho que desde que me mudei de Parnamirim não via mais ele, por isso não me lembrei, meus avós e seus pais eram como tios e sobrinhos, já que meu avô considerava sua avó uma irmã sua, nós nunca nos vemos antes da sexta série, já que sempre quando eles iam até minha casa eu não estava, mas eu sempre ouvia meus avós dizendo “no dia em que você conhecer o Juan vão se amar, ele é um ótimo menino”, não é que meus avós acertaram, quando começamos a estudar junto foi um caos já que eu, como o resto das meninas, tinha uma super quedinha por ele, mas diferente delas eu tinha uma vantagem, eu o via sempre, já que agora quando meus avós diziam “os Periclato vão vir para cá” eu tratava de não sair de casa e me arrumar toda para que o Juan me visse. Na sexta mesmo nós acabamos nos beijando e na oitava eu o odiava e foi assim até o fim da nona, já que como uma garotinha ofendida eu me sentia traída por ele, o que era burrice já que nunca tivemos nada sério, pois ele havia começado um namoro não muito duradouro com a Rayssa, uma menina um ano mais velha que a gente. Agora tudo se encaixava, ele ir morar ali do nada: indicação dos meus avós, ele não perguntar meu nome na praia quando eu perguntei o seu, ele ficar intrigado com o David e consequentemente quase se espatifar em uma briga, ele me conhecia e conhecia muito bem.

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